Baba Yetu – Christopher Tin

O compositor Christopher Tin (foto), californiano descendente de chineses e educado na Inglaterra, fez história ao ser o primeiro a ganhar um Grammy por uma canção feita especialmente para um jogo de videogame (Civilization IV).  Baba Yetu ganhou o grammy de melhor música instrumental acompanhada por vocalistas.

Calling All Dawns, album que contém a vencedora do Grammy, foi lançado pelo compositor Christopher Tin lançou em 2010. Dividido em 3 partes,  Day, Night e Dawn,  Canções sobre alegria, mistério e a complexidade da vida, escuridão e exaltação, são os temas das doze peças contidas na obra do compositor.

Ouça outra faixas de Calling All Dawns, Lux Aeterna (Luz Eterna em latim), executado pela Royal Phillarmonic Orchestra. A letra fala sobre a morte e ressurreição de Cristo:

Gravado no lendário estúdio Abbey Road e tendo como convidados, o grupo africano Soweto Gospel Choir, a cantora lírica Frederica von Stade, a fadista portuguesa Dulce Pontes, o quarteto vocal feminino Anonymous 4,entre outros, Calling All Dawns tem como uma forte característica a universalidade, nos doze idiomas diferentes e mostrando uma diversidade de instrumentos executados por músicos de vários países.

Conheça mais sobre o extenso trabalho do compositor Christopher Tin,através do seu site oficial clicando aqui

 

MPB-4 – Lamento

 

Em atividade desde a década de 60, o MPB-4 é hoje uma das referências da música vocal brasileira. Inicialmente formado pelos músicos Aquiles Rique Reis, Milton Lima dos Santos Filho (Miltinho), Antônio José Waghabi Filho (Magro) e Ruy Alexandre Farias,

Desde o seu início, o grupo sofreu apenas uma mudança em sua formação. O cantor Dalmo Medeiros, que foi integrante de um outro grupo vocal brasileiro importante na década de 70, o “Céu da Boca”, entrou no lugar de Ruy Farias em 2004.

O repertório do MPB-4 sempre se baseou nos grandes compositores da música popular brasileira, como Noel Rosa, Pixinguinha, Chico Buarque, Milton Nascimento, entre tantos outros. O grupo ainda percorreu por outros gêneros musicas em seus mais de 40 anos de formação.

A grande parceria realizada pelo MPB-4 em toda a sua carreira é com o compositor Chico Buarque, da qual, o clássico “Roda Viva”, que foi eternizada em um importante festival nos anos 60, é lembrada até hoje em todos os shows que o grupo faz pelo Brasil:

O video acima é de 1967, e mostra em imagens da época essa parceria com Chico Buarque, que foi importantíssima para o grupo e que durou aproximadamente 10 anos.

Com dezenas de albuns gravados, muitos prêmios, e shows por todo o Brasil e no exterior, o MPB-4 trabalha hoje em um novo album, que vai trazer novos arranjos para boleros famosos de compositores brasileiros.

Para encerrar, vamos ver um video do grupo de 1974, que é um trecho do programa exibido por um programa de TV. Neste vido o grupo apresenta “Lamento”, um samba clássico de Pixinguinha e uma das mais impressionantes construções harmônicas feitas por este importante representante da música vocal brasileira.

Para quem ainda não conhece e quer acompanhar o grupo, basta clicar aqui e fazer uma visita no excelente site oficial do MPB-4, que é sempre atualizado por todos os integrantes remanescentes do grupo.

Club for Five – Wak of Life / Sweet Dreams

Depois da grandiosidade, da enorme qualidade e da quantidade numérica de um dos maiores corais do mundo, o Blog VOZ viaja pelo oceano e vai para a geladíssima Finlandia para conhecer o Club for Five, um grupo que desafia o convencional e o poder da voz humana e eleva a música vocal até as últimas consequencias, de forma original e elegante.

Fundado na cidade de Helsinki,na Finlandia em 2001, o Club for Five, como o próprio nome diz, é formado por 5 cantores que vêm das mais diversas formações musicais: Maija Sariola (soprano), Susana Hietala (alto), Jouni Kannisto (tenor), Tuomas Ahola (barítono) e Tuukka Haapaniemi (baixo).  Essa história musical multi facetada, interfere na composição e na escolha do repertório do grupo, que vai do Jazz ao clássico até ao pop e o rock.

Em suas concorridas apresentações na Finlândia e em alguns países da Europa e da Ásia, o grupo encanta a platéia com as suas performances, que não possuem nenhum outro instrumento senão a voz, ou seja, o público pode tranquilamente imaginar uma banda completa à sua frente. Eles já se apresentaram com diversos artistas famosos pela Europa, como o lendário vocal norte americano The Manhattan Transfer, grupo que já foi mostrado por este blog aqui.

O Club for Five tem 4 albuns gravados, e 3 deles cantados em sua língua materna, o finlandês. Recebidos com entusiasmo pela crítica especializada por ser inovadores, todos os albuns reeberam o disco de ouro em seu país.

O último album do grupo,  lançado em 2010,  se chama “You’re the Voice” (que também é uma faixa do album, uma cover de um clássico pop oitentista de John Farmham), é uma espécie de coletânea poprock, com a releitura vocal do grupo e transformam, por exemplo, “Under the Bridge”, hit da banda Red Hot Chili Peppers em um standard jazz executado pela voz.

Vamos ver então dois videos do grupo que estão disponíveis na internet. O primeiro é “Walk of Life”,  da banda Dire Straits, que faz parte do multiplatinado album “Brothers in Arms”, lançado nos anos 80. O video mostra uma pwerformance do Club for Five na China em 2007:

O segundo video, é uma amostra da popularidade do grupo. Vamos ver um clip produzidíssimo para outro clássico dos anos 80: “Sweet Dreams”, da banda Eurythmics. Um detalhe interessante nesse video é a performance do tenorouni Kannisto, que faz um inusitado solo de guitarra com a voz. Veja o belo visual e vozes impressionantes dos 5 cantores do grupo Club for Five, da Finlândia:

Quem tiver o interesse em conhecer esse grupo espetacular, pode acessar o site oficial do grupo, clicando aqui ,

Mormon Tabernacle Choir – Betelehemu

Não se pode falar de música vocal, grupos vocais acapella, ou qualquer movimento de canto, sem mencionar um dos maiores e mais antigos corais do mundo: O Mórmon Tabernacle Choir.

Formado em meados do século 19 em Salt Lake City, nos Estados Unidos, por membros da Igreja Mormon, que desejaram criar um pequeno coral para entoar cantos apropriados para as cerimônias religiosas.

Exatamente 100 anos depois da gravação de seus primeiros registros sonoros, o Mormon Tabernacle Choir possui hoje grandiosos números em sua trajetória: São 360 músicos e cantores membros da Igreja Mormon, cujas idades variam entre 25 a 60 anos, milhões de álbuns vendidos, centenas de prêmios e apresentações em mais de 28 países (inclusive o Brasil), cantou em posses de diversos presidentes norte americanos ao longo de sua existência.

Embora seja um coral, fundado e radicado dentro de uma instituição religiosa, o repertório utilizado em suas apresentações é bem diversificado, e já se apresentaram com vários cantores convidados, entre eles: Andrea Boccelli e os King’s Singers.

Musicalmente perfeitos e com uma bagagem histórica irretocável, o Mormon Tabernacle Choir, possui um dos mais e mais antigos órgãos em sua igreja-base em Salt Lake City, que completa a harmonia das 360 vozes. O gigantesco órgão possui 11.623 tubos e é considerado uma espécie de “assinatura” do coral.

O vídeo que o leitor do blog VOZ vai ver,  está disponível na internet, e é de uma apresentação exibida pela TV pública de Detroit, Estados Unidos, que faz parte de um concerto de Natal daquele ano. A peça é “Betelehemu”, um canto tradicional de origem nigeriana,  composição de Via OlatunjiWendell Whalum. A belíssima apresentação, faz uma junção do canto tradicional coralístico, com orquestra e vozes, e a cultura africana, com suas danças e uma profusão de instrumentos percurssivos que dão uma tonalidade rítmica, que é a principal característica do canto africano.

Em seguida, você vê a letra dessa peça em seu dialéto original, o “iorubá” e a sua tradução para o português:

Betelehemu

Awa yo a ri baba gbo jule.
Awa yo a ri baba fe yinti
Awa yo a ri baba gbo jule.
Awa yo a ri baba fe yinti.
Nibo l’abi Jesu.
Nibo le gbe e.
Nibo l’abi Jesu.
Nibo le gbe e.
Betilehemu ilu ara.
Nibe l’abi baba o daju.
Betilehemu ilu ara.
Nibe l’abi baba o daju.
Iyin, iyin, iyin ni fun o o.
Iyin, iyin, iyin ni fun o o.
Adupe fun o.
Adupe fun o.
Adupe fun ojo omi.
Baba olore o.
Iyin fun o ba.
Iyin fun o baba a nu.
Baba toda wa si.
Iyin fun o ba.
Iyin fun o baba a nu.
Baba toda wa si.

Belém cidade maravilhosa

Nós estamos contentes de que temos um Pai que podemos confiar.
Nós estamos contentes de que temos um Pai que nos ajuda
Quando Jesus nasceu?
Onde ele nasceu?
Belém, a cidade maravilhosa.
Esse é o lugar onde nasceu o Pai, com certeza.
Louvor, louvor, louvado seja Ele.
Agradecemos-te, agradecemos-Te, nós Te agradecemos por este dia,
Pai misericordioso.
Louvor, louvor, louvor a Ti,
Pai Misericordioso.

Buenos Aires 8

A núsica vocal realmente não tem fronteiras e não obedece as leis do tempo e do espaço. Ao longo dos posts já exibidos por este blog, a variedade e a diversidade dos sons produzidos pela voz humana é imensa.

Neste post, o Blog das Vozes, vai viajar no tempo e vai para a capital argentina dos anos 70 e 80, através do grupo impressionante Buenos Aires 8.

Antes de mais nada, vale apena conhecer o grupo em um brevíssimo histórico:

Formado em meados da década de 60, mais precisamente em 1966, e inicialmente simplesmente de “Vocal Buenos Aires”, o grupo se apresentou pela primeira vez em um festival latinoamericano de Cosquín. Na primeira formação estavam: César Leonardo Tolaba (“Gully”), Horacio Edelmiro Corral, Fernando Ignacio Llosa, Miguel Ángel Odiard, Angélica María Fanelli (“Chichi”), Analía Lobato, Lidia Berta Tolaba y Ana María Palazzo (esta última substituída por Clara Steinberg).

A formação musical do BA8 é claramente baseada na música argentina em sua principal vertente: o Tango. O objetivo sempre foi claramente se apoiar nos textos musicais de Bach, Mozart e de outros compositores da música barroca e apoiá-los na música dos principais compositores o tango argentino, como Francisco De Caro, Aníbal Troilo, Horacio Salgán e Astor Piazzolla.

Em arranjos especialmente concebidos por Horacio Corral e Leonardo Tolaba, as oito vozes de soprano a baixo recorrem com impressionante fluidez e qualidade, conceitos harmônicos  difíceis e incrivelmente belos, em contrapontos com uma precisão que em nenhum momento perde o  equilibrio dos planos sonoros em solos, acompanhamentos, contracantos  em passagens ritmicas. O som se completa com o contrabaixo tocado por Corral, e uma leve intervenção percurssiva realizada por Fernando Llosa.

Com apresentações realizadas em todo o mundo (inclusive no Brasil), 4 albuns lançados, participações em filmes, atuações em festivais televisivos, o Buenos Aires 8 sempre fez questão de se autoproclamar um grupo de música argentina levando o tango a uma outra esfera sonora: a vocal.

O BA8 se desfez no início dos anos 80 com a morte de seu líder e principal arranjador, Cesar Tolaba.

Vamos então ouvir o grupo em dois momentos do album “Buenos Aires Hora Cero”, lançado em 1970 e que traz arranjos vocais dedicados à obra de Astor Piazzolla, com uma observação importante: os textos da contracapa orignal do album, escritos pelo próprio Piazzolla.

O primeiro video é de “Adios Noniño”, onde vemos o próprio BA8 executando a peça no filme argentino “El canto cuenta su historia” (1976) de Fernando Ayala e Hector Olivera:

O segundo video é de “Verano Porteño”. Não existe infelizmente um video do grupo executando essa peça, mas no video abaixo podemos ver belíssimas imagens da capital argentina ao som do fantástico grupo Buenos Aires 8:

fontes: site El Tango e sus Invitados e blog Grupos Vocales (onde existem albuns do BA8 para download)

The King’s Singers – Blackbird / Down to the River to Pray

Depois de algum tempo sem novos posts, o Blog das Vozes volta em grande estilo, com o grupo britânico The King’s  Singers.

Fundado em 1968 por seis coralistas do King’s College, em Cambridge, The King Singers logo tornou-se uma força proeminente musical no Reino Unido, e logo depois no mundo. Desde o início eles se especializaram em “tudo”, desde a música medieval de obras-primas do Renascimento, de canções românticas de folk, pop ou jazz. Seu repertório abrange tudo,  sempre estão  à procura de encontrar novas vertentes musicais. No repertório de seus primeiros concertos, estiveram muitos compositores famosos, como: Krystof Penderecki, Luciano Berio, John McCabe, Peter Maxwell Davies, Ned Rorem e Gyorgy Ligeti. Hoje em dia o King’s Singers possuem um repertório de  mais de 150 peças.

O grupo já se apresentou em lugares igualmente diversificados, como: catedrais e palácios, e em muitos dos maiores auditórios do mundo, com algumas das melhores orquestras e também acompanhou alguns dos melhores solistas do planeta, como por exemplo Kiri Te Kanawa e Bruce Johnston, este que foi integrante dos Beach Boys. Estas colaborações têm frequentemente resultado em gravações que foram adicionados a discografia do grupo, que consiste de mais de 80 álbuns.

Vamos conhecer a genialidade e a versatilidade do King’s Singer em dois videos que fazem parte de um DVD lançado pelo grupo, que estão disponíveis na internet, intitulado From The Byrd to Beatles, . O primeiro video é um clássico dos Beatles:  Blackbird (Lennon/Mccartney), que aqui é executado a cappella em uma afinação impressionante, veja:

O segundo video dos King’s é a sua versão para o clássico da música gospel: Down to the River to Pray, de autor desconhecido, porém sabe-se que a sua origem vêm de um hinário de nativos americanos ou de escravos que trabalhavam nos campos no século 19. O andamento é um pouco mais rápido que em outras performances, mas a riqueza de detalhes no arranjo é simplesmente impressionante.

Ladysmith Black Mambazo – Amazing Grace

Amazing Grace é um famoso hino gospel composto em 1779 pelo compositor inglês John Newton. Existe um pequeno histórico deste famoso hino cristão na enciclopédia eletrônica Wikipedia, leia:

Depois de um curto tempo na Marinha Real, John Newton iniciou sua carreira comotraficante de escravos. Certo dia, durante uma de suas viagens, o navio de Newton foi fortemente afetado por uma tempestade. Momentos depois de ele deixar o convés, o marinheiro que tomou o seu lugar foi jogado ao mar, por isso ele próprio guiou a embarcação pela tempestade. Mais tarde ele comentou que durante a tempestade ele sentiu que estavam tão frágeis e desamparados e concluiu que somente a Graça de Deus poderia salvá-los naquele momento. Incentivado por esse acontecimento e pelo que havia lido no livro, Imitação de Cristo de Tomás de Kempis, ele resolveu abandonar o tráfico de escravos e tornou-se cristão, o que o levou a compor a canção Amazing Grace (em português“Graça Maravilhosa”).

Conhecendo um pouco sobre a história dessa pérola da canção gospel, você poderá ouvi-la nas maravilhosas vozes do grupo Ladysmith Black Mambazzo. Grupo nascido na África do Sul e fundado por Joseph Shabalala por volta dos anos 50. O nome vem do resultado de TODAS as competições que participaram e ganharam: “Ladysmith” é o nome da cidade de nascimento de Shabalala; “Black” representa bois negros, que são os animais mais fortes da fazenda e a palavra zulu “Mambazo”, significa “Machado”, instrumento que representa a capacidade que o grupo tem de “derrubar” todas as competições. Eles eram tão bons, que em certo tempo foram proibidos de competirem. Só participavam para entreter o público.

Em termos de cultura, o grupo representa a cultura tradicional do seu país, sendo uma espécie de emissários de uma nova África do Sul. Acompanharam por diversas vezes o então presidente, Nelson Mandela em diversas ocasiões.

O grupo ganhou notoriedade nos anos 80, quando Paul Simon foi até a África do Sul e conheceu Shabalala e os outros integrantes do grupo. Ficou tão  impressionado com a harmonia dos baixos, contraltos e tenores que resolveu incorporar esse som em seu album “Graceland”. Essa junção da música de Simon e do Ladysmith Black Mambazo rendeu na época ,vários prêmios Grammy e se tornou um dos albuns referenciais na carreira de ambos. Ouça Diamonds onthe soles of her shoes, que parte deste album:

O Ladysmith Black Mambazo, com impressionante harmonia vocal, dança, gestuais que se referem sempre à natureza, são personagens principais deste blog hoje, em uma interpretação adaptada ao estilo zulu de Amazing Grace, esse clássico do gospel. Veja como ficou:

Fontes: Wikipedia e Site oficial do Ladysmith Black Mambazo


obs:  Esse post é dedicado à professora, pesquisadora, cantora e regente do coral da Universidade Tuiuti do Paraná, em Curitiba no Paraná, Liane Guariente, uma profunda conhecedora da voz humana e das suas milhares de possibilidades e potencialidades.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.